VIVÊNCIAS COM
USAMA SAMARA
AS 9 BATALHAS SILENCIOSAS DE
QUEM ENVELHECE — E QUE QUASE NINGUÉM VÊ
Existe uma parte do
envelhecimento sobre a qual quase ninguém fala. Falamos das rugas, dos cabelos
brancos, da aposentadoria, dos exames médicos, dos medicamentos e das
limitações físicas.
Mas e aquilo que acontece por
dentro?
A Psicologia e os estudos sobre
envelhecimento vêm chamando atenção para uma realidade importante: chegar aos
60, 70 ou 80 anos não significa apenas acumular experiências. Significa também
enfrentar mudanças profundas na identidade, nos relacionamentos, na autonomia e
na maneira como enxergamos o próprio tempo.
E muitas dessas batalhas, meus
amigos, são silenciosas.
1.
A sensação de invisibilidade
Durante décadas fomos
profissionais, pais, mães, responsáveis por famílias, empresas e decisões. De
repente, percebemos que o mundo parece olhar mais para os jovens, e a sensação
de invisibilidade começa a pairar no ar, na nossa mente e, a partir disso, é
possível surgir uma pergunta difícil de responder: “Ainda sou importante
para alguém?”
Ah, confesso que é uma pergunta intrigante,
mas ouso dizer que sim, ainda somos importantes.
O problema é que uma sociedade
obcecada pela juventude muitas vezes esquece de valorizar aquilo que somente o
tempo pode oferecer: experiência, memória, conhecimento e maturidade.
2. Os amigos
começam a desaparecer
Outra das batalhas que assolam
nossa cabeça é que, com o passar dos anos, o círculo social tende a diminuir.
Alguns amigos mudam de cidade.
Outros se afastam. Alguns conflitos familiares permanecem sem solução e,
inevitavelmente, algumas pessoas que amamos partem, essa é uma das partes mais
dolorosa, o vazio que nos causa quando um ente querido deixa essa vida é,
indubitavelmente, doloroso. A casa pode continuar cheia, mas a vida social pode
ficar silenciosa.
Por isso, cultivar amizades
depois dos 60 não é luxo é cuidado emocional.
3.
Aprender a pedir ajuda
Partimos do pressuposto que existe
uma geração que aprendeu a resolver seus próprios problemas. Essa é a chamada a
“Geração Baby Bommer”, ou seja, aqueles que nasceram nas décadas de 40, 50 e 60.
É a geração do: “Eu sempre dei
conta”, “deixa comigo que eu resolvo”, mas chega um momento em que pedir ajuda
não significa incapacidade, significa inteligência.
Aceitar apoio dos filhos, dos
amigos ou de outras pessoas não precisa representar perda de autonomia, muito
pelo contrário, às vezes, a verdadeira autonomia está justamente em saber
quando precisamos do outro.
4.
O mundo tecnológico mudou depressa demais
Não é de se espantar que, muita
gente que hoje tem 60, 70 ou 80 anos nasceu em um mundo sem internet, sem
celular, sem WhatsApp e sem inteligência artificial, (como vivíamos assim heim?
rsrs) e, de repente, precisa fazer tudo por aplicativos.
Banco; Consultas; Documentos; Compras;
conversas. Tudo isso na palma da sua mão, esquecemos o Correio, as cartas, o
telegrama, as filas dos Bancos, os orelhões...
É natural sentir dificuldade. Mas
existe algo bonito nessa geração: ela já aprendeu a atravessar enormes
transformações, e quem passou da máquina de escrever ao computador, do telefone
fixo ao smartphone e das cartas às mensagens instantâneas já demonstrou uma
enorme capacidade de adaptação, isso é “ipso facto” e, talvez ainda possamos
aprender muito mais coisas.
5. O vazio que
pode aparecer depois da aposentadoria
Ouvi muito essa frase: “Chegou a
hora de pendurar as chuteiras”! Durante muitos anos, nossa profissão respondeu
à pergunta: “Quem sou eu?”. Quando o trabalho termina, essa pergunta
pode voltar e, é possível que essa seja uma das maiores tarefas da maturidade: descobrir
que nossa identidade é muito maior do que nossa profissão.
A aposentadoria pode ser o fim de
uma carreira, mas não precisa ser o fim de uma vida produtiva e, teimo em
dizer, que pode ser o começo de projetos que ficaram esperando lá no fundo de
uma gaveta, nas páginas de um diário, nos projetos não concluídos.
6.
A distância entre gerações
Filhos e netos vivem em um mundo
diferente daquele em que crescemos. Mudaram a linguagem, os costumes, a
tecnologia, os relacionamentos e até a maneira de enxergar a vida. Às vezes não
conseguimos compreender os mais jovens, e eles também não conseguem compreender
completamente o nosso passado.
Talvez o caminho não seja tentar
transformar um no outro, mas acredito que seja aprender a conversar.
7. O corpo começa
a impor limites
Agora, tenho certeza, que vou
tocar naquilo que todos passamos, uns mais outros menos, rsrsr, e, com certeza
seja uma das mudanças mais difíceis.
A cabeça ainda quer, mas o corpo
nem sempre acompanha, oh dificuldade, pois as atividades que antes eram simples
passam a exigir muito mais cuidado.
O ritmo diminui, a recuperação
demora mais e isso pode afetar a autoestima, dar a sensação que não vamos mais
conseguir.
Mas envelhecer não significa
deixar de viver, significa aprender a viver respeitando um corpo que mudou. E
cuidar do nosso corpo deveria ter sido desde há muito tempo lá atrás, mas,
deixamos para agora, então é essa a hora de levantar, caminhar, fazer exercícios
ou ir para a academia reforçar os músculos (Não esquecer o acompanhamento médico).
8. Os sonhos que
ficaram para trás
Existe uma pergunta que muitas
pessoas fazem quando percebem o avanço da idade: “Será que ainda dá tempo?” Duvido
que alguém não se tenha feito essa indagação! A resposta nem sempre é simples. Alguns
projetos realmente precisarão ser adaptados, outros talvez precisem ser
abandonados, mas muitos ainda podem nascer, como: Aprender uma língua; viajar;
estudar; escrever um livro; criar um negócio; voltar a dançar; aprender música;
fazer um curso e, porque não, Começar um novo relacionamento se for o caso? Ou,
simplesmente, realizar aquela coisa que sempre desejamos e nunca tivemos
coragem de fazer.
Meus queridos amigos, a idade
muda o tempo disponível, mas não necessariamente elimina o desejo de viver!
9. A consciência
de que a vida é finita
Aqui, acredito esteja a batalha
mais silenciosa de todas.
Quando somos jovens, a morte
parece distante e, realmente está. Depois dos 60, começamos a perceber o tempo
de maneira diferente, experiência própria. Não necessariamente com medo por não
saber a hora da nossa ida, mas às vezes com mais consciência.
Começamos a compreender que o
tempo não deve ser apenas contado em anos. Ele deve ser contado em experiências,
em encontros, em abraços, em viagens, em conversas, em histórias, mas não menos
importante, em momentos que realmente valeram a pena!
MAS EXISTE UM
OUTRO LADO DESSA HISTÓRIA
Existe uma característica que
muitas pessoas dessa geração desenvolveram ao longo da vida: A RESILIÊNCIA. Não
porque todo mundo que nasceu entre as décadas de 1950 e 1970 seja
necessariamente mais forte emocionalmente. Mas porque muitas dessas pessoas
cresceram em um mundo que exigia paciência.
Era preciso esperar. Esperar uma
carta. Esperar o telefone. Esperar o resultado de alguma coisa. Esperar para
comprar. Esperar para conquistar.
E, principalmente, aprender a
lidar com frustrações sem a possibilidade de simplesmente apertar uma tela e
obter uma resposta imediata.
Essa experiência pode ter
desenvolvido habilidades que continuam extremamente valiosas: paciência,
adaptação, tolerância à frustração e capacidade de enfrentar períodos difíceis.
Mas existe uma lição ainda mais
importante: RESILIÊNCIA NÃO TEM IDADE.
Ela pode ser construída durante
toda a vida. Podemos aprender a recomeçar aos 20, aos 40, aos 60, aos 70 e aos
80. Porque envelhecer não significa abandonar os sonhos.
Significa, talvez, aprender a
escolher melhor quais deles realmente merecem nosso tempo.
TALVEZ A GRANDE PERGUNTA NÃO
SEJA “QUANTOS ANOS AINDA EU TENHO?”
Talvez seja: “O que ainda
quero fazer com os anos que tenho pela frente?”
Essa mudança de pergunta pode
transformar completamente a maneira como enxergamos a maturidade, pois não
somos apenas aquilo que já fizemos, tenham certeza que somos também aquilo que
ainda podemos construir.
A vida depois dos 60 não precisa
ser uma despedida, pode ser uma nova forma de presença, pode ser uma fase em
que aprendemos a selecionar melhor as pessoas, os lugares, os projetos e as
batalhas que realmente merecem nossa energia.
E talvez uma das maiores
conquistas da maturidade seja esta: “não precisar mais provar para o mundo
quem somos”.
Depois de tantos anos, podemos
simplesmente viver com menos pressa, com mais consciência, e com mais histórias
para contar.
E, principalmente, com a
liberdade de descobrir que ainda existe muita vida pela frente, estejam certos
disso.
E VOCÊ?
Se você já passou dos 60, qual
dessas batalhas silenciosas mais se parece com a sua realidade? Ou, talvez,
você tenha descoberto outra que não apareceu aqui. Conte sua experiência nos
comentários.
Vivências com Usama Samara. Porque
envelhecer faz parte da vida, mas viver continua sendo uma escolha.