eternamente verde

sábado, 5 de fevereiro de 2011

NÃO ADIANTA, DEPOIS FICAREM RECLAMANDO DAS REPÚBLICAS ISLÂMICAS

O cansaço abate os defensores dos direitos humanos, os verdadeiros democratas, os idealistas, aqueles que sempre acreditaram no homem de modo geral, todas as vezes em que ouvimos discursos inflamados daqueles ditadores que relutam em deixar o poder.

Há hoje, no mundo, diversas ditaduras, dentre elas, destaco:

Cuba, dos irmãos castro que estão no poder desde 1959, há 51 anos;
Líbia, Gadafi está no poder desde 1969;
Iemem;
Egito, do presidente Hosni Mubarak está no poder há 30 anos;
Sudão, Omar al-Bashir, no poder desde 1989;
Zimbabué, Robert Mugabe, desde 1980;
Angola, José Eduardo dos Santos, desde 1979;
China, Hu Jintao desde 2003;
Irã, Ali Khamenei desde 1989.

Muitas destas, consideradas “ditaduras democráticas”, apoiadas por países democráticos, é o caso do presidente, ditador, Hosni Mubarak do Egito, que, desde a morte de Anuar Sadat está no poder e recebe o apoio, tanto moral, quanto financeiro, diz-se que por volta de U$ 1,5 bilhões, da dita maior democracia da atualidade os EUA.

Hoje, o Egito passa por momentos turbulentos, com o povo às ruas exigindo o fim da era Mubarak, sendo, violentamente agredidos por supostos pró-governistas, que, na verdade são policiais disfarçados de manifestantes pró-governo, com o único intuito de sufocar os protestos das ruas.

Agora muitos países estão a exigir a saída imediata do presidente Egípcio, e de forma lavada os EUA. Pergunto: Só agora exigem sua saída? Só agora ele passou a ser considerado ditador? Há 30 anos ele foi considerado democrata, passou a ser ditador agora?

A prudência exibida por Washington ante a situação no Egito se explica facilmente: O presidente Hosni Mubarak foi um aliado precioso para os Estados Unidos contra o islamismo e nos esforços de paz entre Israel e os palestinos, utilizando toda sua influência e poder com os demais dirigentes árabes.

O Egito serviu, e sempre, ao interesse Americano e de Israel tal como Reza Pahlevi, Xá do Irã que governou aquele país de 1941 à 1971, mantendo estreitas relações com os Ocidentais que não resistiu à revoltas dos Aiatolás que impuseram ao Irã o regime religioso tornando-se grande inimigo dos EUA.

Este é o real medo dos Americanos, e porque não dizer de Israel, de perderem o Egito para outra revolta como a de agora e surgir novamente um governo religioso tal como o Irã, mais um inimigo no seio Árabe. É assim que entendemos o porquê dos Americanos não pedirem, até agora, a saída imediata de Mubarak. É o tempo que necessitam, os americanos, para poder costurar um governo a seu bel prazer e terem tempo para uma “transição democrática organizada” (???) coisa que Mubarak nunca fez.

Digo isso após ler uma nota dada pelo jornal israelense Haaretz que noticiou: “Que em uma mensagem secreta, Israel solicitou aos Estados Unidos e a vários países europeus que apóiem a estabilidade do regime egípcio de Hosni Mubarak”. "O interesse do Ocidente e do conjunto do Oriente Médio é manter a estabilidade do regime no Egito", afirma a nota, enviada na semana passada, de acordo com o Haaretz.

"Por isso, é preciso frear as críticas públicas ao presidente Hosni Mubarak", acrescenta o texto da mensagem, que a rádio militar israelense interpretou como uma crítica aos Estados Unidos e à Europa, que não apóiam mais Mubarak. Nota esta que um porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu negou-se a confirmar ou desmentir as informações.

Até o momento, os dirigentes israelenses adotaram uma atitude discreta em relação à situação no Egito. Netanyahu, que ordenou a seus ministros que se abstenham de tecer comentários sobre a revolta popular no país vizinho, declarou no domingo que Israel gostaria de “preservar a estabilidade e a segurança regional".

O pânico está generalizado, tanto Egito e Jordânia até hoje apoiaram Israel, mas este apoio incrustado em base fragilíssimas, através de ditadores sanguinolentos coniventes com a manutenção da pobreza e do “status quo”, Israel, país militarizado dos pés à cabeça, financiado a fundo perdido pelos Estados Unidos esmagando dia a dia o povo Palestino.

E o pior é a insistência do Ocidente em proclamar Israel um estado democrático. Democrático? Israel não reconhece o casamento civil, sua constituição permite a “tortura democrática”, construiu um muro separando território Palestino um verdadeiro apartheid.

Mas, muro???, apartheid ???? Isso já não tinha sido banido??? Ah! Tá! Israel pode e o ocidente assina em baixo. Mas vamos combinar, não era esse mesmo Ocidente, democrático, que apoiava o regime apartheid na África do Sul? (perguntar não ofende não é mesmo?).

Mesmo a contra gosto, Americanos e Israelenses terão que conviver com um novo cenário no mundo Árabe. Primeiro foi Tunísia, e agora Egito, a efervescência popular pode trazer novas situações embaraçosas para o governo do presidente Americano e não é só: Iêmen, Argélia, Arábia Saudita e, até a Jordânia, o outro país que, junto com o Egito, assinou um acordo de paz com Israel.

E não nos esqueçamos que, dos 22 países da Liga Árabe, apenas 2, eu disse, dois países reconhecem, oficialmente, Israel, exatamente Egito e Jordânia os mesmos que fazem fronteira com Israel.

Os EUA estão entre a cruz e espada: Conjuminar um de seus princípios basilares, a Democracia, pelo pragmatismo, ou seja, apoiarem e manterem seus aliados no poder.

E o porquê destas revoltas? Muito simplesmente porque estas ditaduras eternizadas não respeitam direitos individuais, muito menos coletivos, transformando a sociedade em grande concentração de pobres e ignorantes, sem informações, pois a imprensa é censurada e até os sermões são previamente censurados.

Desta forma um Oriente Médio islâmico ganhará forma, uma “democracia religiosa” emergirá com base no Alcorão, isto por culpa desses mesmos líderes déspotas que vêem no poder somente suas aspirações de se locupletarem do cargo, enriquecendo-se à custa do suor do povo enviando dinheiro aos bancos estrangeiros ocidentais, comprando imóveis na Europa, como é o caso do presidente Egípcio que mandou sua família a sua casa em Londres.

Não adianta, depois, ficarem reclamando das Repúblicas Islâmicas.

5 comentários:

  1. Belíssimo texto..

    expôs feridas abertas que o mundo teima em não ver, e o pior, não utilizar remédios para curá-las.
    Sim, porque os remédios existem..
    A coragem para usá-los é que anda "inexistente":
    abalaria muitas estruturas enraizadas;
    mexeria com muita gente que deseja permanecer quietinha, na sua zona de conforto.

    Parabéns, Usama! Mais uma vez você enfiou o dedo na ferida, de forma brilhante.

    Obrigada por nos presentear com esse texto!

    Quem sabe alguém que "possa" fazer alguma coisa, leia seu texto e inicie o processo!! utopia? não. Sonho, desejo.

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  2. Essa informação é de maior valia para quem tem acesso ao face, Eu, acredito que o povo deu a resposta para o mundo, principalmente , para os Estados Unidos.Não adianta se calar, pois a voz desses corajosos homens ressoou bem forte. Um clamor de liberdade,tudo isso já está determinado. Os homens vencem a batalha, quando unem-se por um objetivo: "o ideal, a liberdade e os seus direitos de seres humanos"

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  3. Oi Usama!
    Vim retribuir a visita em meu blog e agradecer por se tornar seguidor, eu também já estou te seguindo!!!

    Gostei muito do texto, muito explicativo.

    Tenha uma ótimo domingo!!!

    Abraços

    Vivi

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  4. Gostei demais do seu blog, será um prazer partilhar assuntos de tão maior relevância, um forte abraço e obrigada pela oportunidade de partilha!

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  5. Olá,fico muito feliz com sua visita em meu blog e ja estou te seguindo também,e sempre estarei aqui vendo e comentando seus post,que me parecem muito informativos,e de muita ultilidade para mim que pretendo me formar em direito,bjs um ótimo domingo e uma exelente semana.

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