eternamente verde

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NÃO À "BURCA", SIM AO "HIJAB"

Nasci num berço Muçulmano/Cristão. Pai Palestino vindo da diáspora de 1948 que chegou aqui com 15 anos de idade. Era sunita, casou-se com brasileira, tinha a mente aberta, mas é certo que trouxe alguns ranços dos costumes de sua terra dentre eles o machismo e a submissão da mulher. Minha mãe foi moldando e conquistando aquele “machão” que não gostava de unhas pintadas, maquiagem ou cabelos curtos. Disso eu tiro que a mulher deve, sempre, lutar para conquistar seus direitos de igualdade e liberdade. Principalmente as mulheres muçulmanas que desde sempre trilharam um calvário de violência física e moral nos regimes fundamentalistas como o Regime Talebam que durou até 2001. Escrevo, principalmente, após saber que o presidente do Afeganistão Hamid Karzai faça concessões ao Talebam no sentido de reintegrar grupos rebeldes à política e pacificar o País antes da retirada americana em 2014. Com esse “acordo” o presidente endossa um “CÓDIGO DE CONDUTA” que permite aos maridos bater em suas mulheres, um prato cheio aos conservadores, e com isso retornar ao regime anterior. Mas é certo que pouca coisa tenha mudado, pois os valores regionais são até mesmo mais rígidos que a religião porque a mentalidade masculina continua a sobrepor a qualquer avanço aos direitos da mulher. Não que se quer com isso que a mulher muçulmana se iguale à cultura da mulher ocidental, muito pelo contrário, isso nunca acontecerá, pois cada uma tem suas regras a seguir. A mulher muçulmana que se livrar da “burca”, mas não abre mão do “hijab” (lenço que cobre a cabeça). Ela quer ter direitos de participar livremente da política sem perder a doçura, freqüentar universidades, dirigir seu carro, fazer parte do Executivo e do Judiciário. O que ela, definitivamente, não quer é ser manipulada por suas famílias e seus maridos fanáticos fundamentalistas.

Um comentário:

  1. Acho justa essa reivindicação. É lamentável que em pleno século XXI,tolere-se ainda esse tipo de desumanidade contra a mulher. Jesus Cristo, o Filho de Deus, um homem muito à frente do seu tempo, valorizou a mulher, deixando um exemplo de compaixão, amor e perdão. Será que isto não muda nada? Abaixo à repressão e viva a liberdade! Parabéns pelo texto, Usama.

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